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Thursday, 8 October 2020

As Leituras do Corvo: A Avó e a Neve Russa

«Mas, apesar de todo o brilhantismo que há na história, (e há-o em abundância), há ainda um outro aspecto a elevar um pouco mais esta narrativa: a escrita em si, claro.Natural, envolvente, introspectiva, quando assim tem de ser, directa nos momentos em que a história o exige. Com um ritmo que se ajusta na perfeição a cada acontecimento e pensamento do protagonista. Belíssima, harmoniosa, sempre cativante — poética nos momentos mais belos, cruel nos de maior crueldade. E evocativa em momentos tão pertinentes como o da "cidade das partes suplentes", com os óbvios paralelismos que evoca. 
E tanto mais haveria a dizer sobre este livro - mas não sem estragar o prazer da descoberta. Por isso, fico-me por aqui: pela recomendação incondicional e sem reservas deste livro que projecta sobre as sombras da realidade a pureza do mais inocente dos olhares. Magnífico.»

Público: A Avó e a Neve Russa

Entrevista e recensão a A Avó e a Neve Russa no Público (Ípsilon), por José Riço Direitinho.

«Quando se lê A Avó e a Neve Russa, quase se adivinha, em algumas passagens, o à vontade que João Reis tem com a literatura do norte da Europa: há um humor sarcástico e subtil que se vê pouco na literatura lusa.»

«O romance é narrado por uma criança de dez anos de idade, que com uma voz muito característica nos vai contando a história, a dele, a da sua avó, de alguns membros da família, e de mais umas quantas personagens bizarras que se lhe atravessam no caminho. Uma das coisas mais interessantes neste livro (porque difícil), é o modo como João Reis consegue (melhor palavra seria escrever 'aguenta') manter o tom de voz do narrador, entre o infantil e o irónico com muitos laivos sarcásticos, mas que deixa o leitor sempre dentro de um discurso de verosimilhança, pois seria possível que uma criança falasse assim, com tudo disfarçado de 'inocência'.»

«Servindo-se deste olhar, João Reis consegue um efeito poético na escrita -- que é sempre bastante segura e sem quebras de ritmo, note-se -- que de outra forma dificilmente teria num outro registo.»



 

Saturday, 27 June 2020

Jornal de Letras, Artes e Ideias: A Avó e a Neve Russa

«No intrincadíssimo horizonte da atual literatura portuguesa, marcado pela tentativa de superação dos estilos loboantunesiado, saramaguiano e agustiniano e na descoberta de novos temas para romance, ou novas formas de os explorar, João Reis, com a A Avó e a Neve Russa, oferece uma marca de singularidade muito original, dotada de uma frase comum, como é natural para um romance cujo narrador é uma criança, alimentada por um manto simultaneamente lírico e romântico, não o do romantismo clássico, claro, mas o do romantismo atual da defesa de valores e sentimentos tradicionais. Neste sentido, sob um universo social pós-moderno e a mentalidade fragmentária e desenraizada da emigração, ergue-se um romance deveras clássico.»